ela para me acolher em um fim de semana de muito sol no qual, sozinha, decidi explorar a cidade. Na realidade, resolvi explorar os lugares que eu sabia como chegar e que, infelizmente, ainda não conhecia.
Ao sair do meu querido Butantã, no Anhangabau lotado, ao meio-dia de sábado, ainda não sabia ao certo aonde iria. Desci na Consolação, como já fiz milhões de vezes, e comecei a andar vagarosamente na Avenida Paulista. Ela parecia mais bela, brilhante e divertida do que em todos os outros dias em que ela me recebeu. Olhei as pessoas apressadas, as pessoas sem pressa; os "skaters", os mendigos, os vendedores de água e refrigerante. As bancas de jornais, os shoppings, as patricinhas e os estrangeiros. Vi os sinais que abriam e fechavam sem que eu, descontroladamente, precisasse correr para pegá-los abertos.
Já havia andado um pouco quando decidi entrar em um shopping; eu lembrava de ter passado por ali antes mas nunca havia prestado muita atenção nele. Ele era pequeno, apertado e escuro, apesar da infinidade de restaurantes e a quantidade de andares que ele tinha. Todos comiam frango grelhado com salada, e foi assim que descobri que ali não era o meu lugar. Depois de um momento de claustrofobia, saí daquela caixa e voltei à minha belíssima Avenida.
Andei, andei, andei. Eu queria muito fazer algo de interessante. Foi então que eu vi o MASP: aquele imenso monumento à céu aberto, onde as pessoas se libertam artisticamente. Minha primeira reação foi uma gargalhada boa e alta, eu mal podia me conter ao ver todas aquelas pessoas dançando e pulando (e filmando!) tão espontaneamente. A segunda, foi de respirar fundo e comprar o ingresso para entrar no museu e ver a exposição sobre o Romantismo. Poderia ficar horas falando da exposição, mas prefiro resumi-la em poucas palavras: apaixonei-me por Modigliani e pela exposição permanente de obras clássicas. E foi então que eu saí do museu, sentindo-me pouco culta por não desejar apreciar as obras de Max Ernst.
Caminhei e, um pouco mais à frente, entrei em um outro shopping. À minha esquerda: STARBUCKS! Não podia perder a chance de pedir meu primeiro Grande Caramel Mochiatto no Brasil. Lembrei-me de Clarice Lispector no conto "Felicidade Clandestina", no qual ela tinha o "Reinações de Narizinho" como o seu mais secreto amante; no meu caso, era um Grande Caramel Mochiatto.
Quando o meu momento de epifania acabou fui, com meu copo vazio, até a FNAC. Eu sabia que ela era gigantesca, mas aquele universo de livros era simplesmente demais para mim. Passei horas lendo títulos de livros que não me interessavam até chegar na literatura brasileira. Ah, sim! Estava em casa: Drummond simplesmente saltou aos meus olhos, da prateleira aos meus braços; e era tudo o que eu precisava. Já na fila do caixa ainda apanhei "Forrest Gump" e uma super sacola retornável da FNAC. Meu dia estava completo.
Voltando na Avenida Paulista até a Consolação, enquanto o sol já se punha, achei as pessoas muito estranhas. Fechei o meu sorriso ao mundo e, apressadamente, cheguei ao ponto do ônibus. Meu erro: peguei o Butantã-USP. No meio do caminho, depois do Eldorado, lembrei-me que aquele dia não só era um sábado como também um feriado. Tristemente, andei do Portão 1 até a Vila Indiana, fazendo jus ao meu epípeto de forasteira. Sem contar o medo de andar naquela Cidade Universitária deserta; parecia-me Raccoon City, do Resident Evil.
Depois dessa adversidade, fui até a Universitária, comi um costumeiro Bauru e suco de laranja. Transtornada por ter comido tanto, comprei um bolo de chocolate e pretendia assistir ao filme que comprei; ainda havia esperança para aquele fim de semana. Ao chegar em casa o filme não rodava e eu fiquei, como diria meu tio, "desenchavida". De súbito, tudo perdeu a graça e eu estava ali sozinha, em casa, distante de todos os meus amigos a da possibilidade de fazer algo de divertido em grupo. Deitei-me e dormi; o domingo havia de ser melhor.
Acordei acreditando que a missa era às 10h e, ao chegar na Capela São João Batista, descobri que era às 9:30h. Ainda deu tempo de pegar a homilia e todos os avisos paroquiais (que não foram poucos). Onze e meia eu decidi que não ficaria em casa, que o dia estava muito lindo para eu me deprimir. Fui então ao Shopping Eldorado: eu sempre passava por lá mas nunca havia descido do ônibus naquela estação. É um belíssimo shopping e descobri que as pessoas realmente tinham muita razão de gostar de ir lá. Comi comida japonesa (uma delícia!) depois de passar na PB Kids e comprar meu tão sonhado quebra-cabeça de mil peças, e logo descobri que ali havia um Carrefour! Fiquei muito feliz pois há tempos precisava fazer compras para a minha casa. Comprei toalhas de banho, talheres novos e até algumas comidas. Na volta, ao esperar o ônibus, havia uma senhora ao meu lado me olhando com uma cara muito ortodoxa (aos que me conhecem, seria algo similar à uma cara de xícara). Eu virei para ela e disse: "moça solteira não faz chá de panela, né?". Ela não riu e eu me arrependi de ter falado com ela. E ela pegou o mesmo ônibus que eu.
Cheguei em casa feliz e joguei tudo sobre a cama, apressando-me a abrir o quebra-cabeça. Abri, comecei a separar as partes mas, depois de um tempo, fui me cansando; elas eram tantas e tão pequenas! Devia haver alguma metodologia, que eu desconhecia, para montá-lo. E foi tentando desvendar isso que terminei o meu fabuloso fim de semana com Sausurre. Às 20h eu estava dormindo.
Lição de moral: um dia consigo é bom, dois dias é demais.

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